A Reforma Tributária vai impactar todo o universo de negócios rurais, independente do porte da empresa. O alerta é do Sebrae e da Confederação Nacional da Agricultura. A mudança, sancionada no início do ano, vai exigir uma transformação de atitude dos produtores, que vão sofrer impactos que a maioria sequer tem ainda a dimensão. De acordo com especialistas das duas entidades, a reforma vai produzir alterações nas áreas jurídica, financeira, contábil, entre outras e os empreendedores, inclusive das pequenas propriedades precisam estar atentos e preparados.
De acordo com avaliação da CNA, apenas 5% dos produtores rurais registram um faturamento superior a R$ 3,6 milhões/ano e estariam obrigados a aderir ao novo regime, passando a contribuir com o CBS e IBS (Contribuição sobre Bens e Serviços e Imposto sobre Bens e Serviços, que são os novos tributos que formam o IVA Dual – Imposto sobre Valor Agregado). Mas a recomendação é que todo empreendedor, independente do porte, faça um planejamento tributário para saber o regime mais adequado à sua empresa.
Edgard Fernandes, analista de Competitividade do Sebrae, destaca a importância de o empreendedor estar preparado para a implementação gradual das mudanças previstas na Reforma Tributária. Isso passa pela elaboração de um planejamento tributário e financeiro, pela eventual precificação de produtos e serviços, pela renegociação de contratos com fornecedores e clientes de longo prazo, além da revisão do compliance em documentos fiscais e do treinamento das equipes internas.
“Com a Reforma Tributária, a realidade do caixa da empresa será outro. O empreendedor precisa avaliar se os preços estarão adequados à nova realidade”
Edgar Fernandes, analista de Competitividade do Sebrae Nacional
Dicas aos produtores
Na área jurídica, por exemplo, a reforma pode afetar contratos de longo prazo (preço, responsabilidade tributária) e arrendamentos, alerta Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ainda segundo Renato, os impactos poderão ser sentidos no setor financeiro (fluxo de caixa, pagamento de tributos) e contábil (obrigações assessórias, balanço patrimonial, benefícios tributários). No caso de grandes empresas, o impacto se estende às áreas de tecnologia e recursos humanos.
O especialista alerta que os produtores precisam estar atentos contra publicidades falsas. Segundo Renato, mudanças na precificação, por exemplo, ainda não estão valendo. Assim como impactos sobre o fluxo de caixa ou na lógica de créditos e débitos. A única alteração que deve ocorrer este ano, lembra, será o ajuste no sistema de emissão do documento fiscal que passará a contar – por um período de teste – com os campos para declaração da CBS e do IBS, mas ainda sem geração de pagamento de tributos.
De acordo com a CNA, não haverá aplicação de multas pela falta de registro nos campos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos documentos fiscais até o primeiro dia do quarto mês após a publicação dos regulamentos comuns (o que ainda não aconteceu).
Na prática, como a regulamentação detalhada ainda está em fase de finalização, o prazo para eventuais penalidades sequer começou a ser contado. O objetivo do período de testes é oferecer previsibilidade e tempo hábil para que as empresas ajustem seus sistemas de emissão de notas e escrituração.
Saiba mais
Para orientar os empreendedores brasileiros a respeito da reforma tributária, o Sebrae e a CNA prepararam uma série de conteúdos que estão disponíveis gratuitamente:
-